Real VS Barça, muito mais do que 90 minutos

Em relação a este encontro escaldante vou deixar aqui partes de uma conversa extremamente interessante que tive com um amigo, pois penso que será a melhor forma de partilhar pensamentos claramente diferentes acerca de filosofias também diferentes.

JG: "Tudo bem, eu até admito que o Pepe possa ter sido mal expulso, embora tenha visto poucas repetições, mas só pela maneira como o Mou encarou o jogo já mereceu a derrota."

TN: "É isto que eu não entendo, a sério. Ele encarou este jogo da mesma forma que encarou o da final da Taça do Rei. Apenas trocou o Khedira pelo Lass! A diferença assenta no facto de ele ter perdido agora (grande culpado) e ter ganho na Taça do Rei (mestre da táctica). ­ O Barça tem uma filosofia de jogo incrível e irritante ao mesmo tempo. Só é possível travar com agressividade e coesão.­­"

JG: "É assim, na primeira parte pura e simplesmente não se mexiam os jogadores do Real! Sempre estacionados e somente três atacavam. E trocar o Khedira pelo Lass parecendo que não por si só já é grande mudança. O Real tem jogadores em todos os sectores do outro mundo, tinha todas as condições para jogar taco-a-taco com o Barça! Como tu sabes esta filosofia é a coisa que mais me irrita! O pessoal compra bilhete para ver a equipa a jogar bonito ou simplesmente defender e criar perigo em bolas paradas?!
Mas nada está perdido e digo-te, na segunda mão espero um jogo do outro mundo."

TN: "Entendo isso perfeitamente, uma equipa deve encantar com o seu jogar, criar oportunidades de golo para o público vibrar e dar graças ao seu bilhete que se calhar até foi comprado com algum esforço, mas na verdade também não é aquele tiki-taka "irritante" do Barça que me consegue fascinar. É um exagero. 70% de posse de bola, cerca de 45% atrás do seu meio-campo. É o que te digo, são estilos completamente diferentes. Mas continuo a dizer, futebol é uma forma de viver e o fundamental é vencer! O Mourinho ganhou um troféu com esta "merda" de filosofia e agora "perdeu" outro com a mesma. Tem a sua culpa e o seu mérito, assim é o futebol."

JG: "Claro, ninguém tira o mérito ao Mourinho porque como todos sabemos e acho que ninguém tem dúvidas disso é o melhor treinador, em termos tácticos, do Mundo! Tudo bem que são filosofias, mas eu não gosto da dele, não por ele demonstrar arrogância, dado que como sabemos isso são só mind-games e nada mais, mas é mesmo pela maneira como ele aborda um jogo de futebol! E aquele golo do Messi deixou-me completamente de boca aberta."

TN: "Certo, como bem sabes todas as filosofias têm apreciadores e críticos. Foi um golo genial, sem dúvida."

Obrigado, meu desporto rei.

Jovens Promessas

José Lopes, actualmente no Sporting.


Nome: José Lopes
Nacionalidade: Portugal/Guiné-Bissau
Idade: 18 anos (1992-09-23)
Clube: Sporting (Juniores A)
Posição: Médio-Ofensivo
Altura: 1.76m
Peso: 73kg


José Lopes, mais conhecido por Zézinho, é a grande estrela dos juniores do Sporting e, na minha opinião, não tem um colectivo à sua semelhança. Quando a bola chega aos seus pés a orquestra afina e os desequilíbrios são bem mais evidentes. Golos, dribles encantadores, jogadas fabulosas, arrancadas em velocidade, remates para todos os gostos, passes de ruptura e desmarcações espectaculares são o seu cartão de visita e, mesmo sem um grande poderio físico, Zézinho tem todo um potencial para singrar na mais alta roda do futebol! José Lopes será considerado, de uma forma quase unânime, a grande estrela desta edição da Zona Sul do Nacional de Juniores, demonstrando ser o grande craque do Sporting. Normalmente com a camisola 10 nas costas, o médio guineense gosta de assumir o jogo da sua equipa, revelando-se o grande maestro dos movimentos ofensivos dos leões, sendo que os seus traços de craque são mais do que evidentes. Dotado de uma técnica individual impressionante, Zézinho tem sido muito difícil de travar quando tem a bola bem dominada. Sem ele ao mais alto nível nesta Fase Final o Sporting pode esquecer a revalidação do título. Este é mais um protótipo do enorme talento africano.

Villas-Boas: "Mantivemos sempre a nossa identidade"


"Não vivo na ilusão da liderança ditatorial, o jogo tem coisas tão fáceis de compreender, não há nada de oculto no futebol, não há mestres da táctica, futebol resume-se a talento individual e colectivo, limito-me a encaminhar os jogadores, a liderar um grupo como este. Se calhar outra pessoa aqui fazia a mesma coisa, mérito total dos jogadores, numa filosofia em que defendemos a cultura do futebol português e do futebol bem jogado." A humildade e o profissionalismo foram dois factores que Villas-Boas nunca dispensou, tanto na vitória como na derrota.

Definitivamente, a melhor equipa venceu este campeonato. André Villas-Boas é, de facto, uma prova de que a competência não escolhe idades, ultrapassando tudo e todos!

Porque há vida para além do futebol

Mesmo vivendo numa época de grandes rivalidades tanto em Espanha como em todo o Mundo só fica bem ao futebol momentos como o que se deu ontem em Barcelona, pois foi com todo o prazer que vi o Camp Nou unido em torno de Abidal durante um interminável minuto de homenagem. O clube divulgou um vídeo marcante sobre o jogador, os adeptos responderam com um coro de palmas ensurdecedor, esquecendo a bola que rolava dentro das quatro linhas. Durante aqueles sessenta segundos, ao minuto 22 (número da camisola do defesa-esquerdo) ninguém olhou para os pupilos de Guardiola, poucos quiseram saber do jogo entre Barça e Getafe. O estádio foi todo de Abidal, o jogador que, certamente, acompanhava a homenagem pela televisão, enquanto luta contra um tumor no fígado. É um vídeo marcante com imagens até do sincero abraço dos jogadores do Real Madrid para o rival do Barça. O futebol faz imenso sentido em momentos como este!

Jovens Promessas

Yohandri Orozco, actualmente no Wolfsburgo.


Nome: Yohandri Orozco
Nacionalidade: Venezuelana
Idade: 19 anos (1991-03-19)
Clube: Wolfsburgo
Posição: Médio-Ofensivo
Altura: 1.64m
Peso: 55kg


Yohandri Orozco está a deixar a Venezuela louca. Não, não é um opositor do regime de Hugo Chavez, é sim a estrela da selecção de Sub-20 do país e é apelidado por todos de Maradona. O golo que apontou contra a selecção do Peru, no último dia 24 de Janeiro a contar para o Campeonato Sul-Americano de Sub-20, dá alguma razão aos seus apoiantes. Chamar-lhe D10S será sempre um exagero, é óbvio, mas ninguém pode negar que o rapaz tem muito talento. O futebol venezuelano, durante a última década, mostrou uma evolução assombrosa e Orozco é um exemplo bem evidente desse mesmo crescimento. Yohandri teve uma adolescência complicada, sendo que no seu bairro havia muita droga e mesmo os seus grandes amigos consumiam à sua frente. Contudo, ele cresceu perante as dificuldades e tornou-se um jogador muito acima da média. Este habilidoso venezuelano é extremamente dinâmico, é um esquerdino que conta com uma velocidade estonteante e com um excelente remate. Os seus dribles são sempre uma surpresa para os adversários e, de facto, todas estas características justificam a sua ida para o Wolfsburgo. Esta transferência é um grande passo na carreira de Orozco e agora todos os venezuelanos esperam que ele se adapte bem a um futebol muito fisico como o alemão.

Adeus, Fenómeno Mundial

Ronaldo, o fenómeno, marcou uma conferência de imprensa para esta segunda-feira para anunciar o final da sua carreira. Numa entrevista ao jornal "O Estado de São Paulo", o avançado antecipa que desejava continuar, mas acrescenta que já não é capaz de tal coisa. Em jeito de balanço de uma carreira com quase dezoito anos, Ronaldo afirmou que foi lindo para caramba. "Não consigo mais. Queria continuar, mas não consigo. Penso uma jogada, mas não executo como quero. Está na hora. Mas foi lindo para caramba", destaca o veterano avançado, de 34 anos, que me marcou imenso com a sua maravilhosa forma de jogar futebol e com todo o seu bonito sentimento dentro das 4 linhas!

O Palmarés de Ronaldo:

Clubes: Cruzeiro, 93/94; PSV, 94/96; Barcelona, 96/97; Inter, 97/2002; Real Madrid, 2002/07; Milan, 2007/08; Corinthians, 2009/11

Selecção:

Campeão do Mundo (2002, em 1994 não jogou)
Copa América (1997 e 1999)
Taça das Confederações (1997)
Bronze Olímpico em 1996

Clubes:


Taça do Brasil (1993 e 2009)
Taça da Holanda (1996)
Supertaça de Espanha (1996 e 2003)
Taça de Espanha (1997)
Taça das Taças (1997)
Taça UEFA (1998)
Taça Intercontinental (2002)
Campeão de Espanha (2003 e 2007)

Individuais:

FIFA World Player (1996, 1997 e 2002)
Bola de Ouro (1997 e 2002)
Melhor marcador de sempre em Mundiais (15 golos)
Melhor jogador do Mundial (1998)



Foi um prazer ver-te jogar!

Valerá a pena ouvir


Por incrível que pareça, esta música faz-me visitar o reino do futebol. Desde um simples passe de Diego Armando Maradona a um perfeito drible de Lionel Messi, a uma pressão altíssima feita por Carlos Tevez ou até mesmo a um desarme de Albert Ferrer Llopis. Neste artigo, decidi realizar uma fusão de duas das minhas grandes fontes de inspiração, o futebol e a música, dado que, na minha opinião, elas estão intrinsecamente relacionadas. A paixão, o encanto e a dedicação são a base destas duas maravilhas do Mundo.

Jovens Promessas

Abdoulaye Ba, actualmente no Sporting da Covilhã.


Nome: Abdoulaye Ba
Nacionalidade: Senegalês
Idade: 1991-01-01 (20 anos)
Clube: Sporting da Covilhã (emprestado pelo FC Porto)
Posição: Defesa-Central
Altura: 1.97m
Peso: 80kg


Abdoulaye Ba, tendo um metro e 97 centímetros, bem que podia ser um belo jogador de basquetebol, mas não, o senegalês escolheu seguir o mundo do futebol e ainda bem que o fez, dado que tem muito talento e uma enorme margem de progressão. Ele está integrado no projecto de formação dos portistas, que arrancou em 2006 e terminará em 2011, projecto esse que tem como nome "611". Na edição actual da Liga Orangina, este central senegalês já leva 4 golos, apenas a quatro do líder Bock que actua no Freamunde. Este promissor defesa-central senegalês que o Futebol Clube do Porto emprestou ao Sporting da Covilhã está a dar já muito que falar e pensa-se numa possível integração do mesmo no plantel principal dos dragões a curto-médio prazo. Abdoulaye denota claras facilidades para se posicionar correctamente dentro do relvado, sendo ele o grande pilar do sector mais recuado da sua equipa. O capitão da selecção de esperanças do Senegal é fortíssimo no jogo aéreo, possui um físico assustador e é, com certeza, um nome para ser rapidamente decorado. Um adversário que aposte em jogar pelas alas e que tente criar desequilíbrios com cruzamentos para a área vê na equipa orientada por João Pinto um adversário muito difícil de bater e isso deve-se, em grande parte, a este jovem jogador, pois com este porte físico é extremamente difícil conseguirem "derrotá-lo" no jogo aéreo.

É necessário também referir que este jovem defesa-central é forte em lances de bola parada, tendo já marcado golos de livre directo e de grande penalidade durante esta época. Sendo que também não é menos verdade que Abdoulaye, sendo fortíssimo no jogo aéreo, dá uma maior segurança nas bolas paradas defensivas e cria desequilíbrios nas bolas paradas ofensivas. A maturidade que este jogador revela em campo é extraordinária, com apenas 20 anos de idade dá uma ideia claramente diferente da maioria dos jovens africanos, demonstrando já uma grande experiência e uma enorme regularidade nas suas exibições. Abdoulaye Ba tem, de facto, muita qualidade, qualidade essa que já foi reconhecida pelos técnicos dos dragões e por todos os espectadores mais atentos do futebol português! Para terminar, devo dizer, em jeito de conselho a André Villas-Boas, que este senegalês talvez mereça uma oportunidade no plantel sénior do FC Porto já na próxima época, pois o que me impressiona nem é tanto o físico, mas sim a sua grande capacidade técnica e táctica, aliada a um espírito digno de um guerreiro nascido para vencer!

Villas-Boas defende Jorge Jesus

A classe e o bom senso de André Villas-Boas foram novamente demonstrados num comentário moralmente quase perfeito em relação ao seu rival Jorge Jesus. Passo então a citar esse sábio artigo: "Num clube como o Benfica, o tempo é sempre demasiado curto e as exigências são grandes. Nesse sentido, é ter memória curta relativamente a um homem que representava a mística e a força benfiquista, interpretando-a como ninguém. Tive oportunidade de lhe dizer isso quando nos encontrámos na época passada em Coimbra, quando a sua equipa jogava um futebol de sonho, de qualidade e de ataque. Tentar deitá-lo abaixo por vias travessas não me parece genuíno e acho que o treinador do Benfica não merece esse tipo de críticas agressivas". Para terminar, tenho apenas de evidenciar que esta rivalidade saudável é sempre bem-vinda num futebol como o português!

Sentimentos diferentes, pensamentos iguais



O pensamento de ambas as equipas é só um: vencer! Mas, de facto, dá gosto ver a forma como os jogadores da selecção nacional de rugby sentem o nosso hino e transmitem esse mesmo sentimento de uma forma arrepiante! Deixo aqui este vídeo para realçar o meu orgulho na forma como o hino é cantado pelos lobos. Gostaria que um dia isto pudesse acontecer também na nossa selecção de futebol. Eu sei que o desporto é diferente e a intensidade por sua vez também o é, mas, sinceramente, era algo que me daria imenso prazer observar!

Zinedine Zidane, o melhor de todos



Antes deste dia terminar, 10/10/10, é altura para fazer uma referência ao melhor número 10 de todos os tempos! Zizou, o cientista do desporto rei, é uma referência para todo o mundo do futebol e foi o futebolista que mais me fascinou dentro de um relvado, a sua capacidade para driblar os adversários num tão curto espaço do terreno era a sua melhor qualidade. Não tinha ar de artista da bola, nem de perto nem de longe, mas isso é o que menos importa, até hoje como ele não vi mais ninguém! Quando a bola chegava aos seus pés já tudo estava bem idealizado na sua cabeça. Só assim se consegue fazer o que ele fazia. Uma agressão numa final de um Mundial só é facilmente esquecida quando o talento é sobrenatural, jogadores com a classe de Zidane foram poucos, ou melhor, nenhum!

Dois casos diferentes de evolução

Quando um treinador tem qualidade transforma os seus jogadores em prol do colectivo

João Moutinho e Carlos Martins foram titulares neste último jogo da nossa selecção e são, fundamentalmente, jogadores diferentes se quisermos comparar com um passado recente! O primeiro que joga agora de Dragão ao peito tem 24 anos, mas a sua maturidade dentro de campo é algo impressionante. André Villas-Boas potenciou todo o seu talento, dando-lhe motivação e, acima de tudo, especializando-o numa só posição. No Sporting, este jovem jogador era uma espécie de todo o terreno que, caso fosse necessário, desempenhava qualquer função e aos 90 minutos de jogo era capaz de fazer um sprint até à sua área para tentar o desarme. Felizmente para ele, neste momento, nota-se perfeitamente que houve uma evolução nesse mesmo capítulo e João Moutinho, mesmo recuperando imensas bolas como é bem evidente, já consegue gerir muito melhor o seu esforço, podendo assim dar muito mais à sua equipa em todos os momentos do jogo! A sua qualidade no passe, é raríssimo vermos Moutinho falhar um passe, e toda a sua excelente cobertura dos espaços saltam de imediato à vista de todos e até eu que nunca fui grande fã deste jogador tenho agora que lhe dar mérito – trata-se assim de um caso de especialização e, portanto, de evolução!

Já Carlos Martins é, claramente, um caso diferente. Não por jogar de vermelho e branco, mas sim porque o seu problema assenta noutro prisma, prisma esse que faz parte da sua personalidade. A agressividade do seu jogo, por vezes, prejudicava-o imenso e o seu temperamento levou-o ao insucesso em algumas épocas no passado. Mas agora com Jorge Jesus como seu treinador, este aspecto parece ter sido ofuscado por toda a sua qualidade e, para o bem do futebol nacional, esperemos que tudo continue assim! O seu remate colocado e fortíssimo e toda a sua garra dentro de campo, que, quer se queira quer não, envolve toda a equipa e consegue catapultá-la nos momentos mais complicados, são os pontos fortes do médio português que parece ter "acordado" com o seu novo técnico! E já que toquei neste ponto, não posso terminar sem deixar de destacar a importância que Jorge Jesus teve e tem no desenvolvimento individual dos jogadores. Dí María, Fábio Coentrão, David Luiz e Carlos Martins são quatro grandes exemplos desse mesmo papel importantíssimo do treinador português de 56 anos. O talento destes quatro futebolistas já estava presente como é óbvio, mas era necessário alguém inteligente com a chave correcta para lhes poder abrir a porta do sucesso!

José Mourinho não se esquece!


José Mourinho enviou uma carta à Selecção Nacional onde pede empenho aos jogadores e apoio por parte de todos os portugueses! Penso que faz todo o sentido citá-la aqui, pois não são todos os dias que podem ser lidas palavras tão sábias e sentidas por parte do melhor treinador do Mundo. Então aqui vai:

Sou português há 47 anos e treinador de futebol há dez. Sendo assim, sou mais português do que treinador. Posto isto, para que não restassem dúvidas, vamos ao que importa...

As Selecções Nacionais não são espaços de afirmação pessoal, mas sim de afirmação de um País e, por isso, devem ser um espaço de profunda emoção colectiva, de empatia, de união. Aqui, nas selecções, os jogadores não são apenas profissionais de futebol, os jogadores são além disso portugueses comuns que, por jogarem melhor que os portugueses empregados bancários, taxistas, políticos, professores, pescadores ou agricultores, foram escolhidos para lutarem por Portugal. E quando estes eleitos a quem Deus deu um talento se juntam para jogar por Portugal, devem faze-lo a pensar naquilo que são - não simplesmente profissionais de futebol (esses são os que jogam nos clubes), mas, além disso, portugueses comuns que vão fazer aquilo que outros não podem fazer, isto é, defender Portugal, a sua auto estima, a sua alegria. Obviamente há coisas na sociedade portuguesa incomparavelmente muito mais importantes que o futebol, que uma vitória ou uma derrota, que uma qualificação ou não para um Europeu ou um Mundial. Mas os portugueses que vão jogar por Portugal - repito, não gosto de lhes chamar jogadores - têm de saber para onde vão, ao que vão, porque vão e o que se espera deles.

Por isso, quando a Federação Portuguesa de Futebol me contactou para ser treinador nacional, aquilo que senti em minha casa foi orgulho; do que me lembrei foi das centenas e centenas de pessoas que, no período de férias, me abordam para me dizerem quanto desejam que eu assuma este cargo. Isto levou-me, pela primeira vez na minha vida profissional, a decidir de uma forma emocional e não racional, abandonando, ainda que temporariamente, um projecto de carreira que me levou até onde me levou. Desculpem a linguagem, mas a verdade é que pensei: Que se lixem as consequências negativas e as críticas se não ganhar; que se lixe o facto de não ter tempo para treinar e implementar o futebol que me tem levado ao sucesso; por Portugal, eu vou! E é isto que eu quero dizer aos eleitos para jogar por Portugal: aí, não se passeia prestigio; aí, não se vai para levar ou retirar dividendos; aí, quem vai, vai para dar; aí, há que ir de alma e coração; aí, não há individualidades nem individualismos; aí, há portugueses que ou vencem ou perdem, mas de pé; aí, não há azias por jogar ou por ir para o banco; aí, só há espaço para se sentir orgulho e se ter atitude positiva.

Por um par de dias senti-me e pensei como treinador de Portugal. E gostei. Mas tenho que reconhecer que o Real Madrid é uma instituição gigante, que me «comprou» ao Inter, que me paga, e que não pode correr riscos perante os seus sócios e adeptos. Permitir que o seu treinador, ainda que por uns dias, saísse do seu habitat de trabalho e dividisse a sua concentração e as suas capacidades era impensável. Creio, por conseguinte, que o feedback que saiu de Madrid e chegou à Federação levou a que se anulasse a reunião e não se formalizasse o pedido da minha colaboração. Para tristeza minha e frustração do presidente Gilberto Madail. Mas, sublinho, agora já a frio: foi e é uma decisão fácil de entender. Estou ao leme de uma nau gigantesca, que não se pode nem se deve abandonar por um minuto. O Real decidiu bem. Fiquei com o travo amargo de não ter podido ajudar a Selecção, mas fico com a tranquilidade óbvia de quem percebe que tem nas suas mãos um dos trabalhos mais prestigiados no mundo do futebol. Agora, Portugal tem um treinador e ele deve ser olhado por todos como «o nosso treinador» e «o melhor» até ao dia em que deixar de ser «o nosso treinador». Esta parece-me uma máxima exemplar: o meu é o melhor! Pois bem, se o nosso é Paulo Bento, Paulo Bento é o melhor.

Como português, do Paulo espero independência, capacidade de decisão, organização, modelagem das estruturas de apoio, mobilização forte, fonte de motivação e, naturalmente, coerência na construção de um modelo de equipa adaptada as características dos portugueses que estão à sua disposição. Sinceramente, acho que o Paulo tem condições para desenvolver tudo isso e para tal terá sempre o meu apoio. Se ele ganhar, eu, português, ganho; se ele perder, eu, português, perderei. Mas eu também quero ganhar. No último encontro de treinadores que disputam a Champions League, quando questionado sobre o poder dos treinadores nos clubes, ou a perda de poder dos treinadores face ao novo mundo do futebol, sir Alex Fergusson disse (e não havia ninguém com mais autoridade do que ele para o dizer!) que o poder e a liderança dos treinadores depende da personalidade dos mesmos, mas que depende muitíssimo das estruturas que os rodeiam. Clubes e dirigentes fragilizam ou solidificam treinadores. Eu transponho estas sábias palavras para a selecção nacional: todos, mas todos, neste país devem fazer do treinador da selecção um homem forte e protegido. E quando digo todos, refiro-me a dirigentes associativos, federativos e de clubes, passando pelos jogadores convocados e pelos não convocados, continuando pelos que trabalham na comunicação social e terminando nos taxistas, políticos, pescadores, policias, metalúrgicos, etc. Todos temos de estar unidos e ganhar. E se perdermos, que seja de pé! Mas, repito, há coisas incomparavelmente mais importantes neste país que o futebol. Incomparavelmente mais importantes¿ Infelizmente! Aproveito esta oportunidade para desejar a todos os treinadores portugueses, aos que estão em Portugal e aos muitos que já trabalham em tantos países de diferentes continentes, uma época com poucas tristezas e muitas alegrias.

Ao Xico Silveira Ramos, manifesto-lhe a minha confiança no seu cargo de Presidente da ANTF.

Um abraço a todos,

José Mourinho

Jovens Promessas

Fernando Muslera, actualmente na Lazio.

Nome: Fernando Muslera
Nacionalidade: Uruguai
Idade: 24 anos (1986-06-16)
Clube: Lazio
Posição: Guarda-redes
Altura: 1.90m
Peso: 77 kg

Muslera iniciou a sua carreira profissional no Montevideo Wanderers, em 2004. Após exibições recheadas de qualidade com a camisola do Wanderers, o Nacional de Montevideo optou por contratar este jovem guarda-redes em 2006 a título de empréstimo. Apesar de ter jogado pouco pelo Nacional, a sua qualidade saltou de imediato à vista e despertou o interesse de grandes clubes como o Benfica, Juventus, Lazio, Arsenal, entre outros. Este uruguaio de 24 anos foi contratado pela Lazio no Verão de 2007, a equipa italiana pagou 3 milhões de euros pelo passe do jogador! A melhor exibição que pude assistir de Fernando Muslera foi em 2009, na Supertaça Italiana jogada em Pequim, numa vitória por 2-1 frente ao Inter de José Mourinho, onde o uruguaio "deu" claramente a vitória à sua equipa com uma mão cheia de fantásticas defesas!

Óscar Tabárez, seleccionador do Uruguai, confia a 100% neste guarda-redes. No Mundial 2010, ele brilhou na baliza do seu país e foi um dos grandes pilares da "selecção-surpresa" que conseguiu alcançar o 4º lugar na competição. Muslera é muito bom no jogo aéreo, veloz a atacar a bola, fora ou entre os postes, e revela uma grande segurança. Os seus reflexos são fantásticos e a sua elasticidade é algo invulgar! Ele teve uma ascensão muito rápida na carreira, fruto do seu enorme potencial. Só mesmo para terminar, gostaria de acrescentar uma pequena curiosidade, o aniversário de Muslera coincidiu com o segundo jogo do Uruguai no Mundial frente à África do Sul e Tabárez ofereceu-lhe a melhor prenda possível, a titularidade!