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Não há lugar para promessas no Futebol

Futebol: primeiro uma indústria, só depois um desporto apaixonante.

André Villas-Boas está mesmo de malas feitas com destino a Londres e nesta fase faz todo o sentido trazer de volta ao pensamento algumas frases que foram sendo ditas ao longo da época pelo técnico e pelo presidente dos dragões, Jorge Nuno Pinto da Costa. Ambos prometiam uma ligação de longo prazo, mas há preços que mudam tudo, deixando para trás palavras importantes e de compromisso.

André Villas-Boas:

"Gostava de treinar na Argentina, no Chile e no Japão. Adoro Tóquio. Mas este é o meu trabalho de sonho e quero estar aqui durante muitos anos. Sei que não é habitual os técnicos do F.C. Porto estarem cá mais de dois anos, mas adoro a minha cidade e todo este ambiente que rodeia o clube." 09/09/2010

"Lembro-me de muitos clássicos na Superior Sul com os SuperDragões, no banco de apoio ou na arquibancada sozinho, a fazer análise." 06/11/2010

"Estou farto de vos dizer que ambicionei esta cadeira por muito tempo e não vou abdicar dela por qualquer coisa." 20/11/2010

"Crescer para outro campeonato pode acontecer, mas não me preocupa. Gostaria de me estender noutro tipo de vivências. Não ambiciono uma profissão com exigência tão alta como esta por muito tempo. Só ambiciono uma carreira de 15 anos. Ambicionei esta posição de uma forma louca, cega. É o clube que defendo, onde cresci. Qualquer adepto de qualquer clube sabe o que sente pelo seu emblema. Eu faço-o com o mesmo fervor. Esta é a posição máxima que ambicionei." 14/01/2011

"Se ficar 15 anos no clube que adoro... por mim está bem." 30/04/2011

Pinto da Costa:

"A hipótese de alguém pagar a cláusula de rescisão não se coloca porque ele tem manifestado que não quer ouvir conversas. Ainda hoje disse que a Juventus só viria para o ver exibir o fato. Se ele não quer sair por que hei-de estar preocupado? Tenho a certeza absoluta que ele para o ano estará cá. Estava preocupado era se não ele e outros não fossem cobiçados." 29/04/2011

"Primeiro, André Villas-Boas não quer sair. Se ele não tivesse a mesma paixão que eu tenho pelo FC Porto, estou convencido que era capaz de sair. Mas mesmo com uma cláusula de 15 milhões, que para determinados clubes não é significativo, tenho a certeza de que se vierem cá não vai sair." 23/05/2011

"André Villas-Boas é o grande obreiro destas conquistas. Ele é o nosso dragão-treinador, está na cadeira de sonho de todos os nossos adeptos. Adeptos como o próprio André." 24/05/11

Ainda assim, devo dizer que este jovem treinador é, de forma inequívoca, um mestre da motivação no futebol e todos estes seus comentários em relação ao seu clube de coração tanto deram prazer aos adeptos como estabilidade aos jogadores. Os adeptos portistas não podem aceitar tudo isto em vão, mas também não o devem condenar, passando a relação de amor a ódio - tal como aconteceu com José Mourinho - por este ter aceite uma proposta "quase" irrecusável.

Sendo eu um orgulhoso português resta-me desejar a melhor das sortes para André Villas-Boas nesta sua nova aventura.


Estes dois jovens brasileiros estão já à sua espera, com uma ânsia de vencer enorme e com a certeza de que com o seu novo treinador darão espectáculo. Podem não triunfar, mas irão divertir-se ao praticar bom futebol, podendo afirmar no fim de tudo: "Foi lindo pra caramba!"

Villas-Boas: "Mantivemos sempre a nossa identidade"


"Não vivo na ilusão da liderança ditatorial, o jogo tem coisas tão fáceis de compreender, não há nada de oculto no futebol, não há mestres da táctica, futebol resume-se a talento individual e colectivo, limito-me a encaminhar os jogadores, a liderar um grupo como este. Se calhar outra pessoa aqui fazia a mesma coisa, mérito total dos jogadores, numa filosofia em que defendemos a cultura do futebol português e do futebol bem jogado." A humildade e o profissionalismo foram dois factores que Villas-Boas nunca dispensou, tanto na vitória como na derrota.

Definitivamente, a melhor equipa venceu este campeonato. André Villas-Boas é, de facto, uma prova de que a competência não escolhe idades, ultrapassando tudo e todos!

Que espectáculo em pleno Estádio do Dragão

Quando a confiança está no TOPO torna-se mais fácil conjugar o verbo ganhar

O encontro de ontem à noite, onde o FC Porto venceu o Braga por 3-2, só pecou por uma coisa. Ter durado somente noventa minutos, uma vez que foi muito mais do que um simples jogo de futebol, foi um espectáculo recheado de emoção e qualidade. Sinto-me um privilegiado por poder ter assistido ao vivo a este magnífico jogo. Acho importantíssimo realçar, antes de tudo, o aspecto emocional da equipa portista, TODOS acreditaram até ao fim que era possível alcançar a felicidade, vencendo o encontro, e só assim se consegue atingir os objectivos mais complicados, acreditando cegamente nas nossas competências! Para quem assistiu ao jogo e para quem reparou na forma como os jogadores do Porto reagiram aos dois golos sofridos penso que estiveram sempre cientes de que esta equipa iria sair daquele estádio com os três pontos, quando os índices de motivação e confiança estão bem lá em cima, como é o caso, tudo parece ficar mais simples. Muito mais do que jogar bem, o FC Porto possui uma inteligência emocional espantosa e isso foi fundamental no jogo de ontem! Passando à equipa comandada por Domingos Paciência, posso afirmar que é, na minha opinião, um candidato ao título, marcar dois golos no Dragão, estando por duas vezes a vencer, bater-se de igual para igual no estádio de uma equipa tão motivada como é a de Villas-Boas, dosear na perfeição o tempo para defender ou para explodir em contra-ataque são, de facto, motivos mais do que evidentes para os adeptos bracarenses sentirem orgulho e acreditarem que é possível alcançar o título! Mas, acima de tudo, penso que algo extraordinário e muito difícil de se ver no futebol actual é mesmo a eficácia desta equipa minhota. Não precisa ter muitas oportunidades de golo para marcar, se tiver 4 ou 5 por cada jogo pode muito bem fazer 2 ou 3 golos e isso é algo que encanta qualquer treinador!

A lição foi bem estudada por Domingos Paciência e o Braga esteve organizado a nível defensivo, defendendo quase sempre com todos os jogadores no seu meio-campo, com Luís Aguiar muito próximo de Lima, juntamente com Alan e Paulo César a formarem uma linha de quatro homens na pressão ao início do processo ofensivo portista, cortando quase todos os espaços. Com isto foi bem visível a dificuldade para a equipa orientada por André Villas-Boas conseguir sair a jogar de forma rápida e segura, nem mesmo a descida de João Moutinho para romper a primeira linha de pressão bracarense era suficiente. Sendo assim, foi possível observar Rolando a assumir as responsabilidades no início da construção e, infelizmente para o Porto, o primeiro passe do internacional português saía quase sempre mal! Mas se o colectivo não funciona tão bem é necessário recorrer às individualidades e aí é Hulk que aparece na maioria das vezes. Este jogador brasileiro é o jogador do onze inicial portista mais “contra o colectivo”, mas quando tem espaço para embalar é bastante difícil pará-lo, pois a requintada técnica aliada à sua velocidade estonteante levam muitos dos seus adversários à insanidade mental. Mesmo assim, acho importante abordar o facto da pouca inteligência no seu jogo, por vezes fiquei a pensar até que ponto o encontro de ontem não seria “Hulk VS Braga”. Levantar a cabeça, entender que o seu companheiro de equipa tem mais facilidade para o remate do que ele e perceber até que ponto o passe não será melhor do que o drible ou o remate são, como é óbvio, coisas pouco complicadas, mas que Hulk ainda sente algumas dificuldades em entender. Não obstante do seu ENORME potencial!













O Braga não tem como princípio do seu jogo chegar em organização à baliza adversária, não quer nem precisa de muita circulação para conseguir tal coisa, aposta na objectividade e na velocidade. Para isso, possui Leandro Salino e Alan, dois especialistas a iniciarem ataques rápidos, sabem quando devem continuar velozmente em posse ou então quando devem fazer o passe longo, aproveitando a velocidade dos seus colegas de equipa. Para terminar, acho importante realçar a qualidade do avançado da equipa da casa, Radamel Falcao não marcou nenhum golo ontem à noite, mas foi tão ou mais importante do que Varela ou Hulk. A maneira como ele consegue escapar aos seus adversário é impressionante e é, ao contrário de Hulk, um jogador que potencia e de que maneira o colectivo. A sua inteligência demonstrada em alguns pormenores no encontro de ontem, como por exemplo no lance do remate de Ruben Micael por cima. Grande parte dos avançados naquela situação recebiam a bola e tentavam de imediato o remate. O colombiano não, reparou que tinha o Ruben a entrar nas suas costas e deixou a bola passar para o português fazer o remate, foi pena a bola ter ido por cima, mas ficou a intenção de Falcao, demonstrando mais uma vez que o seu egoísmo típico de um avançado é bastante reduzido, potenciando com isso o JOGAR da sua equipa! A meu ver, Radamel é o melhor avançado da Liga Portuguesa e um dos melhores a jogar na Europa, é quase perfeito na recepção e na condução da bola, afinal… o incrível nasceu na Colômbia!

Porto confiante, Sporting em busca de uma identidade

O flexível 4x3x3 de Villas-Boas e o cinzento 4x4x2 de Paulo Sérgio

Algo bastante curioso é que, tirando a grande segunda parte de ontem frente ao Beira-Mar, o futebol do Porto não entusiasma, mas, enquanto a forte concorrência se tenta colocar no trilho das vitórias, o FC Porto tem confiança e estabilidade para evoluir e continuar a ganhar. O FC Porto trocou um dos treinadores mais experientes do futebol português – Jesualdo Ferreira – por um dos mais verdes, Villas-Boas, talvez por acreditarem que ali estaria um diamante em bruto pronto a ser lapidado pela qualidade do plantel portista. Quatro jogos oficiais, quatro vitórias, um troféu, que mais lhe poderiam pedir? Agora que alcançou a liderança veremos até que ponto será capaz de a manter até ao final da época, a motivação e a confiança estão no TOPO. João Moutinho, Fernando Belluschi e Radamel Falcao são exemplos claros disso!

A forma como Villas-Boas passa os 90 minutos de pé sempre a gritar para dentro do terreno de jogo diz muito de como o novo treinador do FC Porto tenta construir a sua equipa à imagem de um verdadeiro campeão! Possui um sistema base, o 4x3x3, com Varela e Hulk nas alas para dar a tão importante profundidade, mas quando precisa de algo novo, de um xeque-mate, altera o sistema para 4x4x2 e, por conseguinte, solta uma dupla de ataque que, na maioria das vezes, é e será Hulk-Falcao, deixando um quarteto fortíssimo atrás deles, Fernando/Souza, Guarín/Ruben Micael, Belluschi e João Moutinho. Este ajustamento/aperfeiçoamento táctico inspira a equipa a soltar-se mais e complica a vida ao adversário tendo em conta que este andou quase todo o jogo a “habituar-se” a um 4x3x3 puro e depois vê-se perante um 4x4x2 robusto e explosivo. Mas o melhor desta alteração é que Villas-Boas só muda de sistema durante o encontro, uma vez que consegue entender que a sua equipa já tem uma perspectiva do seu “jogar” que consegue suportar da melhor forma essas mesmas mudanças!

Ontem em Alvalade, conseguiu-se a primeira vitória, mas não foi, de todo, uma vitória convincente e mais do que ganhar este Sporting necessita de tranquilizar a sua massa associativa com boas exibições! O 4x4x2 de Paulo Sérgio é algo angustiante, inconstante e um pouco contra-natura, vermos Matías Fernandez a jogar numa ala, Maniche a ser arrastado para o flanco direito frente ao Brondby e uma dupla de avançados a mudar constantemente não inspira qualquer tipo de confiança, nem mesmo com esta última vitória pela margem mínima! O Sporting que começou a pré-época com excelentes ideias de jogo, entrou na fase mais a sério sem a mesma convicção. A falta de Pedro Mendes, o homem que inicia o processo ofensivo sportinguista, abalou a parelha de médios à frente da defesa. Maniche sentiu a falta do seu parceiro e isso mesmo reflectiu-se no seu futebol e nas suas movimentações.

Quanto a esta dinâmica de habituação a diferentes posições, posso afirmar que não está ao alcance de todos, posso dar o exemplo do alemão Schweinsteiger para se perceber melhor o caso, o germânico começou a jogar futebol como ala puro, depois foi sendo arrastado mais para o meio e no Mundial 2010 na África do Sul formou com Khedira uma grande dupla de médios de transição/sustentação à frente da defesa. Os jogadores fazem a posição, não o contrário. Mas num 4x4x2 clássico Matías não tem como singrar, não tem estofo para aguentar o que o sistema lhe pede, nem como médio-centro nem como ala. Seria bom para ele que eu estivesse enganado, mas, sinceramente, não me parece ser o caso!

Supertaça, o primeiro jogo oficial da nova época

Eis a diferença: Villas-Boas realizou todo o trabalho de casa, Jorge Jesus não

Esta noite assistimos a um Porto bem diferente em relação à época passada, diferente para melhor como é óbvio, sem grandes hesitações na hora do último passe com um futebol aventureiro, pressionando alto e sempre muito organizado tacticamente. Cada jogador sabia muito bem qual o papel a assumir e de que forma deveria executá-lo em prol da equipa! Dando o exemplo de Falcão, posso afirmar que era nítida a forma como este tentava anular David Luiz, cortando-lhe sempre o espaço para receber a bola. Villas-Boas sabe muito bem da importância deste central brasileiro no processo ofensivo encarnado, é ele que queima a primeira linha defensiva do adversário, criando assim mais espaços para os homens mais adiantados desequilibrarem!

Falando agora de Jorge Jesus, este treinador hoje desiludiu-me um pouco na forma como efectuou a leitura do jogo, colocou César Peixoto a defesa-esquerdo, avançando Coentrão nesse flanco, mas até que ponto será viável colocar o melhor lateral-esquerdo português numa posição que não é a sua e colocar um jogador BANAL nessa mesma posição? Não foi, de maneira alguma, rentável nem eficaz, Hulk e Varela não sentiram grandes dificuldades na hora de explodirem nesse flanco. Já lá vai o tempo em que Fábio Coentrão fazia várias posições dentro do terreno, penso eu que esse tempo já deveria ter terminado, uma vez que, finalmente, o caxineiro especializou-se, com sucesso, numa posição! Oscar Cardozo, que fez hoje um dos piores jogos da sua carreira, e Pablo Aimar passaram, definitivamente, ao lado do jogo e a turma de Jesus acusou muito isso, algo perfeitamente legítimo, dado que estamos a falar de dois jogadores de qualidade e com grande influência na equipa das águias!

Admitindo que o Porto foi mais forte no jogo desta noite, não posso também deixar de referir que a sorte do jogo esteve, completamente, do lado dos dragões. Entraram quase de imediato a vencer por uma bola a zero num golo em que foi bem evidente a fragilidade do Benfica nos lances de bola parada, aquela defesa à zona deveria estar bem mais organizada e concentrada. Depois, quando os encarnados tentavam fazer o golo do empate e até estavam lançados, Varela explodiu pelo flanco esquerdo, beneficiou da lesão de Luisão para cruzar à vontade e aí tudo se torna muito simples para um jogador com a qualidade de Falcão! Vendo bem, penso que o triunfo dos dragões por 2-0 nem foi o mais importante, visto que depois desta Supertaça nada volta a ser igual: o treinador portista está bem lançado e já conta com o apoio de toda a massa associativa! Para terminar, não posso também deixar de dizer que o campeão nacional e o seu treinador não podem passar já de bestiais a bestas, fizeram uma grande época no ano passado e nada disso deverá ser esquecido, isto foi apenas o primeiro jogo da nova temporada onde, sinceramente, ganhou quem se preparou melhor!

Um FC Porto sempre superior


O Futebol Clube do Porto sentiu algumas dificuldades nos primeiros minutos do jogo de ontem à noite, uma vez que o APOEL entrou bastante pressionante e agressivo sobre a posse de bola portista, não dando grande tempo para pensar e executar. Como complemento para a boa resposta cipriota tivemos um Porto, que mantendo níveis de intensidade altos desde o início, não esteve inspirado na gestão da sua posse. Aqui, tenho mesmo que deixar uma nota para Mariano pelas perdas de bola que acumulou, sucumbido à pressão do adversário e do próprio público. Por outro lado, Raúl Meireles fez, quanto a mim, o seu melhor jogo desta época, foi raríssimo vermos o português a falhar um passe, dando início às transições da sua equipa quase sempre da melhor forma, esteve bastante presente nas diferentes fases do encontro e "compensou" de certa forma o fosso criado por Mariano na zona intermediária.

O efeito do pressing da equipa portista foi evidente, o APOEL nunca conseguiu soltar-se em progressão, nunca conseguiu iniciar o processo de construção de forma concreta e, fundamentalmente, nunca conseguiu jogar e, por isso, foi sempre o Porto quem dominou, o golo dos cipriotas foi apenas um acaso. Com o 0-1 nada se alterou e, como era previsível foi de uma perda de bola que o empate portista surgiu, acerca dos erros no processo defensivo do APOEL, vitais na definição do jogo, importa dizer que são erros forçados, com muito mérito, portanto, para a atitude da equipa orientada por Jesualdo Ferreira. O empate marcou uma viragem emotiva no jogo, dando maior segurança à equipa portuguesa que passou a ganhar mais segundas bolas e a progredir de forma bem mais clara no terreno. A alteração táctica de Jesualdo ao intervalo, colocando Rodriguez no meio e Mariano na ala, melhorou significativamente o “jogar” da sua equipa, principalmente no que toca à criatividade e à velocidade do processo de construção, com Rodriguez mais recuado e mais no centro tornou-se mais fácil transportar a bola até zonas mais avançadas para provocar desequilíbrios e foi de fácil observação que com a desvantagem, o APOEL tentou alongar-se no campo e com isso permitiu que o Porto jogasse mais em transições e com bastante mais espaço, algo que não havia sucedido no primeiro tempo, até ao momento da expulsão de Mariano Gonzalez era iminente a existência de mais um golo para a equipa da casa!

Basicamente, o APOEL era organizado, mas denotou desde cedo muitas fragilidades no que toca ao primeiro passe. O Porto acabou por ganhar o jogo graças ao seu pressing, algo em que é muito forte, e aos erros do adversário. Nunca se conseguiu impor em posse, mas a vitória é algo incontestável, apesar da falta de imaginação e de criatividade da equipa também ser um pouco preocupante. Os médios, neste modelo de Jesualdo, são sempre jogadores com potencialidades para executar transições rápidas e qualquer jogador menos intenso tem dificuldades em impor-se, daí a diferença entre o Porto da primeira e da segunda parte. A grande excepção foi Lucho, cuja inteligência táctica foi suficiente para se impor. É necessário também deixar uma palavra para Hulk, a sua capacidade de explodir perante os adversário é genial e se nunca deixar de trabalhar e de se esforçar é garantida a ascensão mundial deste ainda jovem brasileiro!

FC Porto VS APOEL


Jesualdo Ferreira alertou desde logo os seus jogadores para respeitarem bastante o APOEL, isto numa altura em que os campeões portugueses pretendem dar sequência no Estádio do Dragão ao triunfo obtido na segunda jornada frente ao Atlético de Madrid por duas bolas a zero. Contudo, o APOEL provou ser um adversário difícil logo no jogo de estreia na Champions League, pois empatou no terreno do Atlético e perdeu somente por 1-0 frente ao Chelsea, demonstrando muita objectividade e ao mesmo tempo bastantes lacunas no início do processo de construção, denotando claras dificuldades para realizar o primeiro passe e sair a jogar com segurança e em progressão. Mas mesmo assim, o treinador Ivan Jovanovic está confiante que a sua equipa terá as suas oportunidades para pontuar no Dragão!

O FC Porto parte com a confiança natural que lhe dá o seu estatuto e experiência na Liga dos Campeões, face a uma equipa que faz este ano a estreia, mas os debutantes estão a dar-se bem, daí que o optimismo dos dragões seja moderado. Jesualdo Ferreira rejeita o favoritismo e será mesmo preciso mostrá-lo dentro de campo! É verdade que o Apoel ainda nem marcou um golo na prova, em 180 minutos nunca as redes adversárias balançaram, mas também não é menos verdade que esta equipa tem mostrado uma assinalável eficácia defensiva. Frente a equipas cotadas do futebol europeu, como é o caso do Chelsea e Atlético de Madrid, sofreram apenas um golo. Quanto à experiência, o Apoel é um estreante e o futebol cipriota está longe de ser reconhecido como viveiro de grandes executantes, mas também é certo que não há Belluschi e quando o argentino não joga, o meio-campo do FC Porto ressente-se, nomeadamente no que toca à definição dos envolvimentos mais ofensivos. Mas ainda aqui, pode-se optar por desvalorizar a ausência e sublinhar o fôlego que Guarin tem dado à equipa quando é chamado, permitindo uma maior ocupação dos espaços e uma solução mais forte para aparecer em zonas mais adiantadas a rematar!

O jogo desta noite será, apenas, a primeira parte da dupla jornada com os cipriotas, daqui a duas semanas há mais, no Chipre. E nestes dois jogos pode estar a chave do apuramento azul e branco, tendo sempre em conta aquilo que fizerem Chelsea e Atlético de Madrid, que também medem forças a duas mãos. O técnico cipriota admite que um empate já não seria nada mau, mas a Jesualdo os adeptos não desculparão nada que não seja a vitória!

Equipas prováveis:

FC PORTO: Helton; Fucile, Bruno Alves, Rolando e Álvaro Pereira; Fernando, Raul Meireles e Guarín; Rodríguez, Hulk e Falcão.

APOEL:
Chiotis; Kontis, Broerse, Grncarov e Elia; Nuno Morais, Michail, Kosowski, Hélio Pinto, Charalambides; Mirosavljevic.

Mecanizações de uma equipa em transformação

Na noite passada foi possível observar uma entrada prometedora da equipa leixonense, mas que no fundo não passou disso mesmo, uma vez que durante a maior parte do tempo tivemos um Porto dominador, com muita e boa posse de bola e com variações de flanco constantes e desequilibradoras, feitas principalmente por Meireles e por Hulk de forma quase sempre brilhante…

Com Belluschi mais entrosado e mais rotinado já é possível afirmar com mais entusiasmo a sua enorme qualidade de passe, mas este argentino ainda está muito aquém das expectativas, tem que melhorar no pressing alto da equipa, algo que Lucho fazia bastante bem, devido ao seu fabuloso posicionamento e à sua capacidade de fechar espaços, demonstrando uma leitura de jogo digna de um jogador com enorme classe. Fernando Belluschi não pode também ser tão inconstante, terá que conquistar a massa associativa portista com o que sabe fazer de melhor, mas terá que fazê-lo em quase todos os momentos do jogo, dado que o argentino erra demasiadas vezes… Hulk, um mago bastante temperamental, não lhe estou a tirar nenhum mérito com o segundo adjectivo, uma vez que toda a gente sabe que o brasileiro tem uma capacidade enorme para desequilibrar quando tem a bola, mas uma evolução psicológica e táctica só melhoraria o seu rendimento, mas mesmo assim já se nota que existiu uma transformação no avançado, feita por Jesualdo como é óbvio, comparando com o Hulk da época passada! Rolando e Bruno Alves entendem-se bastante bem no sector mais recuado, mas é bem visível que possuem características bem diferentes, Rolando bem tenta fazer o que o Bruno faz, mas é muito lento a sair com a bola dominada e isso só prejudica o processo de construção, e mesmo nunca sendo rápido a executar consegue por vezes, por incrível que pareça, passar a bola ao adversário… O Leixões prometeu nos primeiros minutos, mas apresentou um futebol "fraquinho" durante o jogo e para agravar ainda mais a sua situação, a zona mais recuada mostrou-se bastante insegura… Jorge Jesus disse uma coisa importante há uns tempos: “Uma equipa defende como o treinador sabe e ataca conforme o orçamento permite!”, acho que isto diz muito da equipa leixonense. Com Radamel Falcão no ataque, um jogador virtuoso, o Futebol Clube do Porto ganha um excelente finalizador, tanto com o pé como com a cabeça e, fundamentalmente, consegue manter a enorme mobilidade que já vem sendo habitual no ataque portista!

Álvaro Pereira jogou apenas 45 minutos e conseguiu mesmo assim ser o obreiro de 3 golos da sua equipa, ele deu uma profundidade incrível ao seu flanco e com Laranjeiro e Zé Manuel muito apagados ele fez o que muito bem lhe apeteceu, juntamente com Varela ou Hulk, para a equipa da casa foi demasiado fácil desequilibrar pelas alas, também porque o outro lateral se chamava Benitez, que já mostrou não ser jogador para o Porto e que parece que também não o é para o Leixões, sempre muito inseguro e demonstra uma clara falta de motivação e confiança! Com o Leixões muito recuado e com o FC Porto a ganhar uma enorme confiança eu estava a prever mais uma goleada daquelas à antiga, mas os pupilos de Jesualdo abrandaram, também muito devido às substituições do professor, que no fundo são compreensíveis tendo em conta o jogo de terça em Londres, mas com este mesmo abrandamento na parte final do encontro foi possível à equipa visitante “pegar no jogo” e encostar o campeão nacional às cordas, nada que os dragões não conseguissem suster, mas ficou o aviso…

Um Porto diferente e um Nacional demasiado estático

Penso que ninguém esperava uma vitória do Porto por 3-0 frente ao Nacional, mas também é certo que o que se passou aos 66 minutos foi lamentável e contribuiu para o resultado final…

Passando ao jogo, tenho que realçar o aumento da qualidade no “jogar” do Futebol Clube do Porto em relação ao jogo de Paços de Ferreira, existiu uma maior dinâmica e uma outra intensidade no jogo da equipa portista, com Belluschi mais solto no apoio à linha da frente, que apesar de por vezes demorar demasiado tempo a executar, demonstrou a sua enorme qualidade no passe e a sua criatividade, existiu de facto outra imaginação no jogo da equipa portista e com Mariano e Varela bastante activos, sempre partindo para o 1x1, criando desequilíbrios e dando profundidade ao jogo da equipa, muitas vezes fazendo sempre um movimento que Jesualdo pretende: indo à linha e fazendo um passe rasteiro para a entrada da grande área, surpreendendo assim a defesa adversária que tinha uma estatura muito superior com a entrada veloz de Belluschi ou então com a rapidez dos movimentos de Falcão… Este número 9 é um “homem de área” que adora aparecer no espaço vazio e que demonstra facilidades para tal, dado que é bastante móvel e possui inteligência nos seus movimentos, tenho também que dizer que apesar de ele ser um guerreiro é um pouco fraco fisicamente e em lances onde o forte contacto físico era inevitável para lutar com os defesas madeirenses ele perdeu quase sempre a bola, demonstrando alguma fragilidade nesse capitulo!

Eu realcei a qualidade do jogo do Porto, mas também tenho que acrescentar que a forma de jogar do Nacional é completamente diferente da do Paços de Ferreira, o Nacional gosta de dar o domínio do jogo ao adversário, uma vez que uma coisa é dominar e outra totalmente diferente é controlar… Os madeirenses, por norma, surpreendem os adversários em lances de bola parada ou então em ataques rapidíssimos, usufruindo da enorme velocidade dos seus homens da frente! Rúben Micael é um autêntico condutor de jogo de enorme qualidade, faz transições recheadas de qualidade e sabe quando é o momento certo para prosseguir com a bola dominada ou então para fazer o passe de ruptura, admito que em determinados momentos parece que o 14 madeirense não está a jogar, passando assim ao lado do jogo, mas há jogadores que, mesmo não sendo obcecados pela posse da bola, sabem o que fazer ao esférico nos momentos certos, lembram-se por exemplo de Lucho!?

Leandro Salino, um médio brasileiro de 24 anos, foi um jogador que me chamou a atenção, não só por ser muito perspicaz a nível táctico, ajudando muito Patacas a fechar, dando-lhe também mais segurança para subir bastante pelo flanco direito, mas também porque é muito evoluído tecnicamente, conduz a bola sempre bem colada ao pé, recebe quase sempre de forma perfeita e consegue libertá-la com muito engenho, é um médio bastante completo e certamente um jogador para ser acompanhado de perto durante toda a época! Para terminar, vou falar sobre Raúl Meireles, o melhor médio a realizar transições no futebol português… Este jogador ainda não está no auge da sua forma, nem perto disso, mas mesmo assim as suas qualidades são admiráveis e mesmo sendo evidente algum desgaste no português, Jesualdo Ferreira não o consegue colocar de início no banco de suplentes, visto que ele consegue desequilibrar em passe e em condução com facilidade e, fundamentalmente, consegue dar um equilíbrio notável e essencial à equipa nas diferentes fases do encontro!

FCP 2-0 LYON - PEACE CUP

Vitória dos dragões por 2-0 frente a um adversário forte, mas ainda pouco entrosado e organizado, é certo que foi uma exibição fraca do Porto, mas valeu pelo resultado!

Vi um Fernando capaz de chegar a todo o lado com rapidez e com discernimento suficiente para desarmar o adversário com qualidade, é um jogador brutal, importantíssimo para toda a estratégia da equipa nos diferentes momentos do jogo… Álvaro Pereira demonstrou competências no que toca ao processo defensivo, muito bem posicionado, nunca perdendo a calma e tentando o corte sempre na altura certa, no ataque esteve tal como é habitual, muito bem!

Meireles esteve muito mais solto no terreno do que é habitual, deixando Belluschi mais preso, será esta uma boa opção? Sinceramente, penso que não, dado que Raúl
Meireles é um típico médio de transições, nunca um criativo, as características de Belluschi estão bastante mais perto dessa mesma posição, portanto acho que com a evolução que certamente ocorrerá dentro desta equipa, esta será uma “mudança” na forma de jogar do Porto! A entrada de Guarín pode ter mudado muita coisa, mas melhorar a qualidade da posse de bola do FCP certamente é que não foi, é sem dúvida um médio para dar poder de choque ao meio-campo portista, para além disso é certo que sai mal a jogar, uma vez que a sua qualidade de passe não é muito famosa e na minha opinião está pesado para a forma de jogar que o mister Jesualdo pretende…

O Lyon esteve muito preso nos seus movimentos, demonstrando bastantes dificuldades para chegar à área do Futebol Clube do Porto, talvez porque os laterais e os médios não conseguiram procurar espaços de forma inteligente e criativa, não criando assim linhas de passe e não provocando desequilíbrios suficientes para que a defesa portista se desorganizasse, basicamente era muita gente organizada a defender comparando com a que estava a atacar desorganizadamente, o último passe não era feito com qualidade e segurança e com isto, tudo era muito directo e pouco mecanizado!

Radamel Falcão entrou bastante bem no jogo, foi o melhor jogador que Jesualdo colocou na segunda parte, deu velocidade ao jogo da sua equipa que até ao momento bem precisava, já demonstrou possuir um entendimento assinalável com os seus companheiros, fazendo até a assistência para o 2º golo, mesmo assim tenho que afirmar que foi um jogo fraco por parte das 2 equipas, ainda bem que existe um Hulk a jogar na equipa portuguesa, ele conseguiu dar dois pontapés na monotonia, resolvendo assim o encontro!

FC Porto ganha 1-0 em ritmo de Pré-Época

O Dínamo de Bucareste é uma equipa razoavelmente fraca em relação ao Porto, com poucas soluções ofensivas e com processos muito pouco organizados, talvez por isso este não tenha sido um teste assim tão exigente, tanto a nível táctico como a nível técnico!

Notei que Belluschi teve medo de se soltar no jogo, preocupou-se demasiado com a recuperação da bola e com a transição ataque-defesa, estando muito preso no que toca ao processo ofensivo, isso prejudicou-o imenso, uma vez que se nota claramente que ele é um jogador muito mais dotado para aparecer em zonas mais ofensivas, nomeadamente de finalização, talvez com a evolução táctica natural que irá ter, feita claro por Jesualdo, melhorará bastante o seu desempenho e a sua postura perante o jogo…

Bruno Alves é muito mais do que um simples central, hoje notou-se, assim como noutros jogos, a técnica presente neste jogador e a sua qualidade no passe, até porque muitas vezes ele “sem intenção” anula a função do médio-defensivo e mesmo com essa linha de passe presente começa ele próprio a fase de construção da equipa. A segurança que demonstra tanto a “destruir jogo” como a sair a jogar é, de facto, notável!

Varela com a sua velocidade, técnica e com movimentos diagonais rapidíssimos consegue desequilibrar em posse, o que se torna muito importante, dado que com a inclusão de Hulk no meio, esses mesmos desequilíbrios são menores, porque aquele não é o “habitat natural” do brasileiro, sendo mais fácil a sua anulação, ele gosta realmente de jogar bem junto à linha e criar desequilíbrios flectindo para o meio, fazendo por diversas vezes permutas posicionais ou então tabelas inteligentes com os outros avançados!

Fucile e Álvaro Pereira subiram bastante bem no terreno, apoiando sempre da melhor forma os ataques da sua equipa, isso torna-se extremamente importante, uma vez que cria mais soluções de passe para os colegas, ao mesmo tempo que permite mais mobilidade aos extremos, dado que terão mais espaços para progredirem com ou sem bola… Com as entradas de Nuno André Coelho para defesa-direito e de Benitez para defesa-esquerdo, o processo ofensivo do Porto ficou com menos qualidade, dado que eles não conseguem ter a mesma participação ofensiva do que os laterais em cima referidos…

Maicon é o central ideal para fazer dupla com Bruno Alves na minha opinião, não tirando mérito ao Rolando como é óbvio, mas este jovem brasileiro tem imensa qualidade e ainda possui uma margem de progressão muito grande, para além da sua capacidade de desarme tanto com o pé como com a cabeça, o seu brilhante posicionamento é meio caminho para o sucesso, se for esta a dupla escolhida espero mesmo muito dela!

Beto, apesar de não ter tido muito trabalho, demonstrou segurança dentro dos postes que foi transmitida para toda a equipa… Fernando tem sempre muito espaço no terreno para pensar e executar, não só por mérito próprio, apesar de também possuir muita qualidade e bastante inteligência nos seus movimentos, mas também muito devido a toda a dinâmica da própria equipa… Guarín: muita força, muita entrega, muita luta, mas pouca inteligência e pouca técnica, não irá ser novamente, com certeza, o seu ano no FCP, para mim é um dos elementos mais fracos no plantel deste ano!

Com Farías e Falcão em campo, o Porto ficou com 2 avançados bem presos na área, mas curiosamente quem recuou mais para procurar a bola foi Farías, que por norma gosta de se fixar bem na área e esperar pela melhor oportunidade para finalizar, não falhando na maior parte das vezes! Mas com esta mudança no sistema táctico, a "identidade" da equipa ficou, como é óbvio, afectada, uma vez que não foi possível jogar com a mesma intensidade e qualidade, não havia um homem que conseguisse fazer o tão importante último passe, aquele homem que cria desequilíbrios numa segunda linha mais ofensiva, o tal homem que é tão importante numa equipa, que muitas vezes parece passar ao lado do jogo mas que na verdade é deveras importante para equilibrar a equipa, tanto a atacar como a defender!

A Mestria de Jesualdo e uma Equipa Adulta

Manchester United 2-2 FC Porto
[07-04-2009]

Houve um apagão em Manchester. Hulk esteve muito fraco relativamente ao que pode e deve fazer. É verdade que foi sempre muito marcado pelos defesas contrários, mas na realidade passou mais tempo no relvado a pedir a falta sem razões para tal do que propriamente a jogar e a desequilibrar! Old Trafford gritou e o incrível Hulk abalou.

Excelente Fernando… Cobriu todo o espaço defensivo que lhe estava atribuído e ajudou bastante os laterais a anularem os médios-ala do Manchester. No início das transições defesa-ataque também é notório que já mostra outra personalidade, tanto no capítulo do posicionamento como na qualidade do primeiro passe. Quando este jogador chegou ao Porto, com a bola nos pés era muito mais fraco em relação ao que mostra actualmente. Cissokho melhorou significativamente desde que chegou às mãos de Jesualdo, tanto a atacar como a defender, já não vemos um Cissokho infantil e precipitado, vemos antes um jogador muito seguro a defender e a arriscar avançar pelo flanco só nos momentos certos com bastante qualidade. O FC Porto é um autêntico bloco, sempre muito seguro e agora muito motivado!

Fletcher jogou muito mal esta noite, quase que não se deu por ele, houve momentos que apagou totalmente e notou-se claramente esse apagão no rendimento do meio-campo e por conseguinte da própria equipa! Quando Ferguson mudou o seu sistema táctico e o colocou na direita, passando Ronaldo para o meio, o United melhorou um pouco, uma vez que mesmo com Fletcher a render muito pouco, não era tão fulcral na ala como teria que ser no meio! Mesmo concordando com Ferguson nesta mudança de sistema a meio da 1ª parte, não posso deixar de dizer que quando retirou Scholes aos 72 minutos e fez entrar Tevez a sua leitura do jogo até ali não foi a melhor, dado que colocou novamente Fletcher no meio e o que deveria ter feito era retirá-lo a ele do jogo e não ao Paul Scholes!

A defesa do United permitiu muitos espaços ao ataque portista e cometeu vários erros, alguns até demasiado infantis, preocupou-se demasiado com Hulk e deixou bastante à vontade Rodríguez e Lisandro, o que acabou por lhes custar caro, mas também não posso deixar de referir que quanto à marcação ao brasileiro eles merecem os meus parabéns. No ataque desta equipa, dou todo o mérito a Wayne Rooney, foi ele que foi sempre à luta com os defesas portistas e era também ele que muitas vezes aparecia nas alas para baralhar as marcações e dar seguimento a cruzamentos venenosos, visto que com Cristiano Ronaldo na área esses lances são sempre sinal de perigo iminente!

Raúl Meireles esteve instrumental hoje, tal como é habitual, mantendo sempre o seu equilíbrio defensivo ajudando e muito a cobrir as laterais quando necessário e no processo ofensivo, com o seu sentido posicional e com a sua fantástica qualidade de passe faz sem dúvida a diferença no que toca a baralhar o processo defensivo do adversário, uma vez que tem a capacidade de mudar rapidamente a intensidade do jogo, tanto em condução como em passe!

Por fim não posso esquecer o Professor Jesualdo, não só pelo que ele evoluiu individualmente cada jogador que chegou às suas mãos, mas também porque este FC Porto, tacticamente, está quase perfeito. Está a ser um trabalho fenomenal deste homem que no início era criticado por quase todos, inclusive por mim!

Muito mais do que um Clássico

Muito mais do que um Clássico, um jogo com bastante personalidade por parte de ambas as equipas + Os dilemas dos 2 grandes candidatos à conquista do campeonato nacional
[08-02-2009]

FC Porto (1)
• Afunilaram muito o jogo pelo meio, uma vez que não tinham grandes soluções pelas alas! Os cruzamentos eram quase sempre bloqueados pelos enormes defesas contrários…
• Muito do seu jogo é feito em contra-ataque, explorando a velocidade e a profundidade, mas para isso é preciso realizar as transições de uma forma segura e rápida e hoje isso não aconteceu, não só por demérito próprio, mas também por mérito do adversário.
• Fucile e Cissokho deram muitos espaços nas faixas, Meireles esteve incansável durante todo o jogo e não consigo entender porque foi substituído, estava a ser um dos melhores do Porto!
• Cristian Rodriguez, um guerreiro fenomenal, atacou sempre em esforço e muito com o coração, apesar disso ele era dos poucos a assumir o jogo da sua equipa e a tentar virar o rumo dos acontecimentos, principalmente antes do golo do empate!
• Lucho fez uma boa 1ª parte, aparecendo por diversas vezes em zonas avançadas, criando desequilíbrios posicionais no adversário. Já na 2ª parte não posso dizer o mesmo, esteve bastante apagado, fazendo com que o seu rendimento prejudicasse a sua equipa.
• Faltam soluções no banco, Jesualdo Ferreira não consegue mexer no jogo com aquelas alternativas… Não há qualidade suficiente no banco de suplentes para desequilibrar a partir de uma alteração na equipa!

SL Benfica (1)
-> A defesa desta equipa esteve simplesmente brilhante esta noite, sempre muito bem organizada, muito atenta às arrancadas venenosas dos avançados adversários e tentando sempre subir o bloco, para assim se instalarem no meio-campo do Porto e darem outra tranquilidade à própria equipa.
-> Yebda e Katsouranis estiveram bastante bem, não dando hipóteses a Fernando e a Meireles de começarem com tranquilidade as transições defesa-ataque, fazendo assim dos ataques do Porto uma desorganização imensa!
-> A substituição feita por Quique Flores, Di María por Suazo, demonstrou inteligência… É certo que foi obrigado a tirar Suazo devido a uma lesão, mas mesmo assim a sua intenção era tentar aproveitar a velocidade e a técnica do puto maravilha para assim surpreender a defesa contrária em contra-ataque (quase que dava resultado se não fosse a má pontaria do Argentino!)
-> O meio-campo desta equipa pautou sempre o ritmo do jogo à sua maneira, baixando o ritmo de jogo quando era necessário e acelerando quando era seguro e pertinente. Ruben Amorim foi uma peça fundamental neste esquema de Quique, uma vez que tanto ajudou a fechar a ala direita, dando mais segurança a Maxi Pereira, como ajudou a iniciar o processo ofensivo a partir de uma zona mais central… Amorim e Pablo Aimar tiveram um desempenho fabuloso esta noite!
-> O Benfica possui várias soluções com qualidade no banco de suplentes, como por exemplo Cardozo, Di María, Nuno Gomes, Carlos Martins, Balboa… Enquanto o seu adversário é bastante inferior neste aspecto! Na minha opinião, Quique poderia ter arriscado mais um pouco neste jogo, dado que com opções destas ao seu dispor era natural que isso acontecesse, até porque o seu adversário não estava em nada superior após o golo do empate!

SIDNEI, O MELHOR EM CAMPO

Jesualdo Ferreira VS Jorge Jesus

BRAGA 0-2 F.C.PORTO || 24-01-2009

1ª PARTE:
Braga: (4x4x2)
O Sporting de Braga entrou com tudo neste jogo, os primeiros 15 minutos foram totalmente dominados por esta equipa, muito devido ao pressing alto que exerceu. Pena foi que nestes minutos não conseguiu concretizar nenhuma ocasião de golo. Nos restantes 30 minutos do 1º tempo houve claramente uma cambalhota no rendimento do Braga, não só por mérito do adversário, mas também por demérito próprio, não conseguindo parar as transições rapidíssimas da equipa adversária. Na minha opinião Rentería não deveria ter jogado de início, uma vez que o que esta equipa precisava era de uma presença assídua na área e não de um avançado móvel como é este jogador, portanto o indicado para ser titular seria Meyong! Durante a 1ª parte, houve momentos em que se notou que o meio campo do Braga estava bastante desorganizado, dado que existia um enorme espaço entre Vandinho e Luís Aguiar, o que prejudicava imenso o início das transições defesa-ataque, com isto bastava Raul Meireles cortar as linhas de passe ao 1º homem do meio-campo (Vandinho) e assim fazer com que o processo ofensivo desta equipa fosse facilmente anulado pelo FC Porto!

F.C.Porto: (4x3x3)
Esta equipa passou por alguns momentos de aperto nos primeiros minutos, mas teve sempre a frieza e a tranquilidade necessária para manter o nulo. Após os primeiros 15 minutos lá conseguiu sacudir a pressão e utilizar as suas grandes armas: transições defesa-ataque rapidíssimas e profundidade, explorando a enorme técnica e a grande velocidade dos seus avançados! Lucho Gonzalez pensa o jogo de uma forma encantadora, com 2 ou 3 toques na bola desequilibra completamente os adversários, durante este jogo fez passes brilhantes! Mas como é óbvio, neste meio campo também há Raúl Meireles e Fernando, o 1º fez quilómetros durante todo o jogo e é simplesmente único no que toca a começar o processo ofensivo da sua equipa, visto que a sua qualidade de passe é no mínimo excelente. O Fernando tem uma leitura de jogo incrível, posicionando-se sempre muito bem, infelizmente para a equipa, com a bola nos pés não é nenhum Assunção nem nenhum Costinha, tem algumas dificuldades no 1º passe, o que dificulta sempre um pouco a construção do jogo ofensivo do F.C.Porto (anda a mostrar algumas melhorias neste aspecto). Cissokho impressionou pela positiva neste seu 1º jogo na Liga, é um jogador rápido, com alguma técnica e que fez arrancadas dignas de um extremo. Apesar destes aspectos bem positivos, não posso deixar de realçar a forma como este jogador defende, foi, em algumas jogadas, facilmente ultrapassado e teve que recorrer vezes a mais à falta para parar o adversário, notando-se também que em alguns momentos estava “perdido” dentro de campo!

2ª PARTE
Braga: (4x4x2)
Jorge Jesus colocou Meyong e Matheus ao intervalo, mudando assim a forma de jogar da sua equipa. Com 2 avançados e sem soluções viáveis pelo meio do terreno o Braga limitou-se a jogar pelas alas, explorando a capacidade técnica e táctica de Alan e Matheus. Alan foi sem dúvida nenhuma o jogador mais inconformado do Sporting de Braga, sempre querendo assumir o jogo da sua equipa, perturbando e muito a defesa adversária com os seus magníficos cruzamentos, mas infelizmente para ele e para a equipa esta sua missão não teve sucesso! Nos últimos minutos, já com Orlando Sá em campo, o Braga foi atrás do prejuízo, João Pereira e Evaldo nesta altura preocupavam-se mais com o ataque do que propriamente com a defesa, com isso houve uma superioridade numérica nas alas, o que criou algumas dificuldades aos laterais do Porto. O Braga atacou a maior parte das vezes pelo lado direito, o que fez com que se tornasse uma equipa demasiado previsível, para além disso João Pereira foi sem qualquer dúvida, apesar do erro flagrante de Moisés, o pior jogador em campo, precipitado a atacar e infantil a defender, uma prestação péssima deste jogador!

F.C.Porto: (4x4x2)
No final da 1ª parte Tomás Costa entrou para o lugar do lesionado Rodríguez, com esta substituição o Porto encarou a 2ª parte de uma forma bem mais cautelosa, jogando com 4 homens no meio campo e sem extremos puros, limitando-se a gerir o resultado. Para isso esteve sempre bem posicionado atrás, com Meireles e Fernando à frente da defesa mostrando o que é saber defender, isto é, sempre com um excelente sentido posicional, cortando as principais linhas de passe da equipa adversária, para além deste brilhante trabalho defensivo também não posso deixar de evidenciar a forma sublime como estes jogadores colocavam rapidamente a bola na linha ofensiva, dando asas à velocidade de Hulk e Lisandro. Apesar da substituição aos 84 minutos, Hulk foi, na minha opinião, o melhor jogador em campo, explosivo e desequilibrador, com uma técnica invejável, fez arrancadas venenosas que complicaram e muito a vida da defesa contrária! Tenho que dar mérito a Fucile, uma vez que marcou Matheus de uma forma exemplar, não lhe deu qualquer espaço de manobra e já numa fase terminal do encontro, quando Evaldo se juntou a Matheus no seu corredor ele manteve-se igualmente seguro. Apesar da forma fabulosa como defendeu, também tenho que referir que no aspecto ofensivo esteve bastante fraco em relação ao outro lateral Cissokho!

HULK, O MELHOR EM CAMPO

F.C.Porto 1 - 0 Sporting - A Classe de Lucho e Meireles e a passividade de Miguel Veloso

Este jogo foi totalmente diferente do da Supertaça... Tivemos um Porto mais dominador, muito devido ao seu meio campo.

Paulo Assunção dominou o meio-campo defensivo, não deixando Romagnoli ter a bola! Raul Meireles e Lucho demonstraram a sua enorme classe... Lucho foi fantástico, com o seu grande sentido posicional conseguiu estar sempre onde era preciso, interceptando muitas bolas... Mas Raúl Meireles não lhe ficou atrás, efectuando as transições defesa-ataque com muita rapidez, causando assim muitas dificuldades ao adversário, dado que por diversas vezes apareciam 3 para 3 à entrada da área do Sporting...

Jesualdo Ferreira não cometeu o mesmo erro da Supertaça, que foi colocar o Lisandro a marcar o Miguel Veloso, uma vez que isso mudava completamente a estrutura do ataque, o que originou muitos problemas nesse jogo... Assim Jesualdo optou por baixar a linha ofensiva e assim cortar as linhas de passe de Miguel Veloso!

E isso resultou perfeitamente, visto que o Miguel Veloso foi um jogador muito apagado durante todo o jogo, mas isso não aconteceu só por mérito do adversário mas também por demérito do próprio jogador... Ele é muito inteligente a jogar e tem uma qualidade de passe estupenda, mas é muito lento a pensar e a executar, talvez com o decorrer da idade ele consiga melhorar esse aspecto...

Por isso acho que o Paulo Bento deveria ter mexido nessa posição, porque mesmo com mais uma unidade no meio-campo a sua equipa estava a ser dominada, talvez a entrada de Farnerud pudesse mudar algumas coisas, uma vez que ele é mais rápido do que Miguel Veloso, apesar de não ser um médio-defensivo de raíz podia ser perfeitamente adaptado! Izmailov deveria ter saído mais cedo do jogo, ao intervalo era a altura certa, e na minha opinião o substituto ideal para o Russo era Yannick Djaló, dado que ia dar mais velocidade ao jogo, que era o que o Sporting realmente necessitava! Fundamentalmente, acho que foi uma vitória justa e há que dar o mérito ao professor Jesualdo Ferreira nesta partida, tal como a toda a equipa do FC Porto que fez um jogo muito interessante.