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Porto confiante, Sporting em busca de uma identidade

O flexível 4x3x3 de Villas-Boas e o cinzento 4x4x2 de Paulo Sérgio

Algo bastante curioso é que, tirando a grande segunda parte de ontem frente ao Beira-Mar, o futebol do Porto não entusiasma, mas, enquanto a forte concorrência se tenta colocar no trilho das vitórias, o FC Porto tem confiança e estabilidade para evoluir e continuar a ganhar. O FC Porto trocou um dos treinadores mais experientes do futebol português – Jesualdo Ferreira – por um dos mais verdes, Villas-Boas, talvez por acreditarem que ali estaria um diamante em bruto pronto a ser lapidado pela qualidade do plantel portista. Quatro jogos oficiais, quatro vitórias, um troféu, que mais lhe poderiam pedir? Agora que alcançou a liderança veremos até que ponto será capaz de a manter até ao final da época, a motivação e a confiança estão no TOPO. João Moutinho, Fernando Belluschi e Radamel Falcao são exemplos claros disso!

A forma como Villas-Boas passa os 90 minutos de pé sempre a gritar para dentro do terreno de jogo diz muito de como o novo treinador do FC Porto tenta construir a sua equipa à imagem de um verdadeiro campeão! Possui um sistema base, o 4x3x3, com Varela e Hulk nas alas para dar a tão importante profundidade, mas quando precisa de algo novo, de um xeque-mate, altera o sistema para 4x4x2 e, por conseguinte, solta uma dupla de ataque que, na maioria das vezes, é e será Hulk-Falcao, deixando um quarteto fortíssimo atrás deles, Fernando/Souza, Guarín/Ruben Micael, Belluschi e João Moutinho. Este ajustamento/aperfeiçoamento táctico inspira a equipa a soltar-se mais e complica a vida ao adversário tendo em conta que este andou quase todo o jogo a “habituar-se” a um 4x3x3 puro e depois vê-se perante um 4x4x2 robusto e explosivo. Mas o melhor desta alteração é que Villas-Boas só muda de sistema durante o encontro, uma vez que consegue entender que a sua equipa já tem uma perspectiva do seu “jogar” que consegue suportar da melhor forma essas mesmas mudanças!

Ontem em Alvalade, conseguiu-se a primeira vitória, mas não foi, de todo, uma vitória convincente e mais do que ganhar este Sporting necessita de tranquilizar a sua massa associativa com boas exibições! O 4x4x2 de Paulo Sérgio é algo angustiante, inconstante e um pouco contra-natura, vermos Matías Fernandez a jogar numa ala, Maniche a ser arrastado para o flanco direito frente ao Brondby e uma dupla de avançados a mudar constantemente não inspira qualquer tipo de confiança, nem mesmo com esta última vitória pela margem mínima! O Sporting que começou a pré-época com excelentes ideias de jogo, entrou na fase mais a sério sem a mesma convicção. A falta de Pedro Mendes, o homem que inicia o processo ofensivo sportinguista, abalou a parelha de médios à frente da defesa. Maniche sentiu a falta do seu parceiro e isso mesmo reflectiu-se no seu futebol e nas suas movimentações.

Quanto a esta dinâmica de habituação a diferentes posições, posso afirmar que não está ao alcance de todos, posso dar o exemplo do alemão Schweinsteiger para se perceber melhor o caso, o germânico começou a jogar futebol como ala puro, depois foi sendo arrastado mais para o meio e no Mundial 2010 na África do Sul formou com Khedira uma grande dupla de médios de transição/sustentação à frente da defesa. Os jogadores fazem a posição, não o contrário. Mas num 4x4x2 clássico Matías não tem como singrar, não tem estofo para aguentar o que o sistema lhe pede, nem como médio-centro nem como ala. Seria bom para ele que eu estivesse enganado, mas, sinceramente, não me parece ser o caso!

Um Sporting vitorioso, mas pouco eficaz

Aspectos a melhorar / Princípios de jogo interessantes de uma equipa em transformação

A equipa leonina bateu sem dificuldades o Nordsjælland da Dinamarca por 1-0, com uma exibição tranquila e dominadora. O resultado acaba mesmo por ser escasso face ao número de oportunidade criadas pelos pupilos de Paulo Sérgio, que parte para o encontro da segunda mão em Alvalade com uma vantagem que muito dificilmente deverá ser anulada pelo adversário. Neste primeiro jogo oficial da equipa leonina, Paulo Sérgio apostou num 4x4x2 clássico, com Rui Patrício, João Pereira, Polga, Carriço e Evaldo na defesa, Vukcevic, Maniche, Pedro Mendes e Djaló no meio-campo, Saleiro e Postiga na frente de ataque. Evaldo e João Pereira são dois excelentes laterais, indiscutíveis no onze de Paulo Sérgio na minha opinião, defendem bem e atacam de forma ainda melhor, o primeiro será, com certeza, o tão esperado lateral-esquerdo da equipa leonina, já o segundo tem muita qualidade, mas terá que melhorar num aspecto quanto a mim, terá que ser menos temperamental porque isso poderá ser prejudicial à sua equipa em alguns jogos, ele joga sempre nos limites da agressividade!

Algo que salta de imediato à vista é a forma como o “novo Sporting” pressiona no meio-campo adversário, este pressing alto é um sinal de mudança e pode ser o começo de algo bastante positivo: os leões voltarem a entrar em campo com o intuito de dominar a partida para assim alcançarem o estatuto de “GRANDE” do futebol português com mérito, algo que na última temporada não o conseguiram fazer. Simon Vukcevic e Yannick Djaló dão uma profundidade importante à equipa e estão nitidamente em boa forma, partindo para cima do adversário sem medo, procurando desde logo desequilíbrios no um para um! O adversário desta noite não foi exigente para a equipa portuguesa, mas mesmo assim tenho que realçar algumas fragilidades da defesa sportinguista, quando o Nordsjælland partia de forma rápida para o contra-ataque eram bem visíveis as dificuldades na transição ataque-defesa leonina! Espero também que daqui a algum tempo a defesa sportinguista esteja bem mais entrosada e organizada, eu notei alguma “desconfiança” naquele sector esta noite!

Um Sporting negro de Paulo Bento


Ontem em Alvalade houve uma insignificante melhoria no futebol leonino, tão insuficiente que nem deu para marcar um único golo aos homens do Restelo. Este empate no derby de Lisboa confirma o que já estava confirmado para mim há muito tempo: o leão está a atravessar uma fase bastante negra, os adeptos estão revoltados e o futebol da equipa é argumento mais que válido para essa tal revolta, dado que todos colocam o Sporting como sendo a “típica equipa grande”, mas no fundo esta equipa de Paulo Bento não pratica futebol suficiente para merecer esse estatuto, a sua dinâmica ofensiva é péssima, não consegue jogar de forma continuada e apoiada, não provocando desequilíbrios em posse de forma segura, fazendo dos lances de bola parada o mais forte argumento para criar perigo. A sua defesa é extremamente insegura e o único jogador do sector mais recuado que não merece ser alvo de críticas é o jovem Daniel Carriço, todos os outros demonstram lacunas básicas e essas perigosas anomalias estão relacionadas com a incapacidade psicológica e motivacional de toda a equipa!

Um grande problema desta equipa também paira na dupla de ataque, Liedson não tem um companheiro certo a seu lado, já vimos que Postiga não é mais do que um ponta-de-lança banal, Yannick Djaló tem características semelhantes a Liedson e num sistema como este não é exactamente isso que se procura, dado que, para além de Yannick ser um pouco fraco a finalizar e a pressionar, o que se deve procurar realmente é um avançado mais posicional para contrastar com a enorme mobilidade do luso-brasileiro, no plantel sportinguista só vejo mesmo Felipe Caicedo como alternativa e talvez este equatoriano precise de oportunidades concretas para elevar o seu ego e o seu rendimento e dar a Liedson e a toda a equipa uma maior tranquilidade! Com tudo isto, é bem visível a dependência da equipa leonina em relação à capacidade que Liedson tem para resolver encontros, mas nem sempre o levezinho consegue resolver e quando isso não acontece tudo se torna muito mais difícil, para finalizar quanto a individualidades, tenho que falar no eterno João Moutinho, está em nítida regressão de forma, não consegue encontrar a melhor maneira para colocar o seu futebol em prática denotando claras dificuldades para aparecer no meio-campo adversário com a bola bem colada ao pé pronto a provocar rupturas nas defesas contrárias, mas também quando toda a equipa está em baixo a vários níveis são raros os jogadores que sobrevivem a essa mesma onda negativa!

Falando agora um pouco do jogo de ontem, o Sporting até entrou bem, determinado e obrigado, entre castigos e lesões, a melhorar a imagem da noite europeia, aquela que deu um triunfo histórico, mas que deixou os jogadores com as orelhas a arder, depois de uma assobiadela monumental. Era preciso trocar os assobios pelos aplausos e a entrada no jogo dava sinais de que isso poderia acontecer, Postiga rematava ao lado, logo aos quatro minutos, no primeiro indício de redenção leonina, mas seria o mesmo Postiga, porém, a desesperar o mais calmo dos adeptos ao não aproveitar um brinde do ex-leão Beto, num contra-ataque de 3 para 1, Nelson teve mérito na mancha, mas o avançado podia e devia ter feito bem melhor. Assim, pairava no ar a inquietude leonina! Os minutos finais aumentaram ainda mais a tensão, uma altura em que apenas se pensa num golo no último instante, numa inspiração de um jogador, num bocadinho de sorte que seja, para se vencer e adiar as "conversações" entre a equipa técnica e os adeptos, só que a sorte dá trabalho e o leão está de baixa, joga mal, e nas bancadas soltou-se mais uma vez a revolta com mais assobios e lenços brancos. Paciência e tranquilidade com Paulo Bento? Está muito longe de existir...

F.C.Porto 1 - 0 Sporting - A Classe de Lucho e Meireles e a passividade de Miguel Veloso

Este jogo foi totalmente diferente do da Supertaça... Tivemos um Porto mais dominador, muito devido ao seu meio campo.

Paulo Assunção dominou o meio-campo defensivo, não deixando Romagnoli ter a bola! Raul Meireles e Lucho demonstraram a sua enorme classe... Lucho foi fantástico, com o seu grande sentido posicional conseguiu estar sempre onde era preciso, interceptando muitas bolas... Mas Raúl Meireles não lhe ficou atrás, efectuando as transições defesa-ataque com muita rapidez, causando assim muitas dificuldades ao adversário, dado que por diversas vezes apareciam 3 para 3 à entrada da área do Sporting...

Jesualdo Ferreira não cometeu o mesmo erro da Supertaça, que foi colocar o Lisandro a marcar o Miguel Veloso, uma vez que isso mudava completamente a estrutura do ataque, o que originou muitos problemas nesse jogo... Assim Jesualdo optou por baixar a linha ofensiva e assim cortar as linhas de passe de Miguel Veloso!

E isso resultou perfeitamente, visto que o Miguel Veloso foi um jogador muito apagado durante todo o jogo, mas isso não aconteceu só por mérito do adversário mas também por demérito do próprio jogador... Ele é muito inteligente a jogar e tem uma qualidade de passe estupenda, mas é muito lento a pensar e a executar, talvez com o decorrer da idade ele consiga melhorar esse aspecto...

Por isso acho que o Paulo Bento deveria ter mexido nessa posição, porque mesmo com mais uma unidade no meio-campo a sua equipa estava a ser dominada, talvez a entrada de Farnerud pudesse mudar algumas coisas, uma vez que ele é mais rápido do que Miguel Veloso, apesar de não ser um médio-defensivo de raíz podia ser perfeitamente adaptado! Izmailov deveria ter saído mais cedo do jogo, ao intervalo era a altura certa, e na minha opinião o substituto ideal para o Russo era Yannick Djaló, dado que ia dar mais velocidade ao jogo, que era o que o Sporting realmente necessitava! Fundamentalmente, acho que foi uma vitória justa e há que dar o mérito ao professor Jesualdo Ferreira nesta partida, tal como a toda a equipa do FC Porto que fez um jogo muito interessante.