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Portugal sofre quatro golos do Chipre, inaceitável

O que já era esperado aconteceu, o piloto automático deu erro

A nossa selecção empatou 4-4 com o Chipre, um resultado vergonhoso como é óbvio, dado que nós possuímos jogadores muito mais evoluídos a todos os níveis e estamos noutra dimensão futebolística, mas os números do marcador são, de facto, MUITO preocupantes! Apesar do resultado, é preciso também realçar que a nossa selecção não teve a sorte do jogo e que podia ter ganho o desafio com naturalidade e justiça, mas marcar quatro golos a uma selecção como o Chipre e não vencer o encontro é, no mínimo, inaceitável! Os jogadores portugueses tiveram os seus índices de concentração baixíssimos na maior parte do tempo no jogo desta noite, só assim se explicam os quatro golos sofridos frente a um adversário como o Chipre. Os cipriotas raramente conseguiram chegar à baliza portuguesa em organização, os contra-ataques com as bolas a surgirem nas costas da defesa da nossa selecção são o prisma atacante da selecção cipriota e são neles que assenta a única arma ofensiva do nosso adversário desta noite. E aqui sim, entram dois factores muito importantes para explicar os quatro golos sofridos: o primeiro baseia-se na desconcentração nada comum na equipa portuguesa e que resultou em erros infantis de jogadores que não os costumam cometer, o segundo assenta nas transições defensivas péssimas da selecção nacional, tendo em conta que a velocidade imprimida pelos cipriotas não deveria ter incomodado tanto esta formação como incomodou! Já Ricardo Quaresma teve de esperar por lesões alheias para comprovar que é o português mais inspirado do momento, apesar de todo o seu temperamento.

A colocação de Manuel Fernandes deixa-me, verdadeiramente, a pensar se Miguel Veloso ou mesmo João Moutinho não seriam melhores soluções, pensando que no 4x2x3x1 a dupla de médios à frente da defesa necessita de velocidade no pensamento e na execução, reactividade, e bom sentido posicional, algo em que Manuel Fernandes não é, claramente, forte. Apesar do seu grande golo de fora da área, nada disto consegue ser colmatado, pois as suas características e a sua passividade prejudicaram o funcionamento defensivo e ofensivo da equipa. Quanto ao nosso lateral-direito, Miguel ou Sílvio? Penso que é mais do que óbvia a falta de forma do jogador do Valência e o grande momento do jovem bracarense, talvez a sua inexperiência e o seu nervosismo admitido fez o técnico pensar duas vezes. Necessário também é realçar o facto da dinâmica ofensiva da equipa ter sido boa, com a bola a correr o campo todo numa circulação segura e rápida, criando bastantes desequilíbrios na zona de pressão cipriota, admitindo também que a basculação defensiva do nosso adversário foi quase sempre feita de forma péssima. Mas acima de todas as opções técnicas, é extremamente importante destacar a intranquilidade e a enorme pressão que os jogadores de Portugal demonstraram, fruto do ambiente complicado e angustiante que se tem sentido nos últimos tempos no ceio da nossa selecção, algo que eu prefiro nem abordar, pois a cobardia de alguns membros da Federação é lamentável!