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Um Sporting negro de Paulo Bento


Ontem em Alvalade houve uma insignificante melhoria no futebol leonino, tão insuficiente que nem deu para marcar um único golo aos homens do Restelo. Este empate no derby de Lisboa confirma o que já estava confirmado para mim há muito tempo: o leão está a atravessar uma fase bastante negra, os adeptos estão revoltados e o futebol da equipa é argumento mais que válido para essa tal revolta, dado que todos colocam o Sporting como sendo a “típica equipa grande”, mas no fundo esta equipa de Paulo Bento não pratica futebol suficiente para merecer esse estatuto, a sua dinâmica ofensiva é péssima, não consegue jogar de forma continuada e apoiada, não provocando desequilíbrios em posse de forma segura, fazendo dos lances de bola parada o mais forte argumento para criar perigo. A sua defesa é extremamente insegura e o único jogador do sector mais recuado que não merece ser alvo de críticas é o jovem Daniel Carriço, todos os outros demonstram lacunas básicas e essas perigosas anomalias estão relacionadas com a incapacidade psicológica e motivacional de toda a equipa!

Um grande problema desta equipa também paira na dupla de ataque, Liedson não tem um companheiro certo a seu lado, já vimos que Postiga não é mais do que um ponta-de-lança banal, Yannick Djaló tem características semelhantes a Liedson e num sistema como este não é exactamente isso que se procura, dado que, para além de Yannick ser um pouco fraco a finalizar e a pressionar, o que se deve procurar realmente é um avançado mais posicional para contrastar com a enorme mobilidade do luso-brasileiro, no plantel sportinguista só vejo mesmo Felipe Caicedo como alternativa e talvez este equatoriano precise de oportunidades concretas para elevar o seu ego e o seu rendimento e dar a Liedson e a toda a equipa uma maior tranquilidade! Com tudo isto, é bem visível a dependência da equipa leonina em relação à capacidade que Liedson tem para resolver encontros, mas nem sempre o levezinho consegue resolver e quando isso não acontece tudo se torna muito mais difícil, para finalizar quanto a individualidades, tenho que falar no eterno João Moutinho, está em nítida regressão de forma, não consegue encontrar a melhor maneira para colocar o seu futebol em prática denotando claras dificuldades para aparecer no meio-campo adversário com a bola bem colada ao pé pronto a provocar rupturas nas defesas contrárias, mas também quando toda a equipa está em baixo a vários níveis são raros os jogadores que sobrevivem a essa mesma onda negativa!

Falando agora um pouco do jogo de ontem, o Sporting até entrou bem, determinado e obrigado, entre castigos e lesões, a melhorar a imagem da noite europeia, aquela que deu um triunfo histórico, mas que deixou os jogadores com as orelhas a arder, depois de uma assobiadela monumental. Era preciso trocar os assobios pelos aplausos e a entrada no jogo dava sinais de que isso poderia acontecer, Postiga rematava ao lado, logo aos quatro minutos, no primeiro indício de redenção leonina, mas seria o mesmo Postiga, porém, a desesperar o mais calmo dos adeptos ao não aproveitar um brinde do ex-leão Beto, num contra-ataque de 3 para 1, Nelson teve mérito na mancha, mas o avançado podia e devia ter feito bem melhor. Assim, pairava no ar a inquietude leonina! Os minutos finais aumentaram ainda mais a tensão, uma altura em que apenas se pensa num golo no último instante, numa inspiração de um jogador, num bocadinho de sorte que seja, para se vencer e adiar as "conversações" entre a equipa técnica e os adeptos, só que a sorte dá trabalho e o leão está de baixa, joga mal, e nas bancadas soltou-se mais uma vez a revolta com mais assobios e lenços brancos. Paciência e tranquilidade com Paulo Bento? Está muito longe de existir...

F.C.Porto 1 - 0 Sporting - A Classe de Lucho e Meireles e a passividade de Miguel Veloso

Este jogo foi totalmente diferente do da Supertaça... Tivemos um Porto mais dominador, muito devido ao seu meio campo.

Paulo Assunção dominou o meio-campo defensivo, não deixando Romagnoli ter a bola! Raul Meireles e Lucho demonstraram a sua enorme classe... Lucho foi fantástico, com o seu grande sentido posicional conseguiu estar sempre onde era preciso, interceptando muitas bolas... Mas Raúl Meireles não lhe ficou atrás, efectuando as transições defesa-ataque com muita rapidez, causando assim muitas dificuldades ao adversário, dado que por diversas vezes apareciam 3 para 3 à entrada da área do Sporting...

Jesualdo Ferreira não cometeu o mesmo erro da Supertaça, que foi colocar o Lisandro a marcar o Miguel Veloso, uma vez que isso mudava completamente a estrutura do ataque, o que originou muitos problemas nesse jogo... Assim Jesualdo optou por baixar a linha ofensiva e assim cortar as linhas de passe de Miguel Veloso!

E isso resultou perfeitamente, visto que o Miguel Veloso foi um jogador muito apagado durante todo o jogo, mas isso não aconteceu só por mérito do adversário mas também por demérito do próprio jogador... Ele é muito inteligente a jogar e tem uma qualidade de passe estupenda, mas é muito lento a pensar e a executar, talvez com o decorrer da idade ele consiga melhorar esse aspecto...

Por isso acho que o Paulo Bento deveria ter mexido nessa posição, porque mesmo com mais uma unidade no meio-campo a sua equipa estava a ser dominada, talvez a entrada de Farnerud pudesse mudar algumas coisas, uma vez que ele é mais rápido do que Miguel Veloso, apesar de não ser um médio-defensivo de raíz podia ser perfeitamente adaptado! Izmailov deveria ter saído mais cedo do jogo, ao intervalo era a altura certa, e na minha opinião o substituto ideal para o Russo era Yannick Djaló, dado que ia dar mais velocidade ao jogo, que era o que o Sporting realmente necessitava! Fundamentalmente, acho que foi uma vitória justa e há que dar o mérito ao professor Jesualdo Ferreira nesta partida, tal como a toda a equipa do FC Porto que fez um jogo muito interessante.